19 agosto, 2011

do tempo

Me lembro dos tempos de liberdade, quando praia era sinônimo de vodka com bala no cair da tarde.

Nem sei se era mesmo uma liberdade, mas a função de abrir meu cabeção foi cumprida deliciosamente bem. O Brasil todo caminhava para seus tempos glórios quando, ele próprio, estava passando de coitado sub terceiro para imperialista dos mais pobres, orgulhando-se de suas multinacionais emporcalhando os jardins vizinhos. Um tempo de histeria moralista, onde as igrejas evangélicas angariavam fiéis tristes com a mesma velocidade que crianças nascem. Alguns anos antes de conhecermos a ditadura da saúde fictícia, onde fumar cigarro viraria sinônimo de perseguição.

Eu percebia isso tudo com o filtro do LSD. Mas liberdade hoje é diferente, ela existe na folga do trampo das 10h às 18h e pode ser adquirida em até três parcelas fixas em algum site de compras coletivas.

Mas eu estava dividida naquele tempo (e ainda). Nunca fui de agir muito. Atitude não é minha moda. Na verdade, moda nem é minha moda. Eu entendo tudo e, no máximo, tagarelo pra meia dúzia. Tudo bem. Os goles me satisfaziam

Não mais. Quero viajar mais, pra mundos e lugares. Fazer chá de vida e beber ainda quente.

18 agosto, 2011

tempo

Foi quando eu decidi olhar aquelas fotos antigas... nem sei mesmo porquê, acho que estava cansada de videos virtuais. E eu nunca tinha me visto assim, daquele jeito. Deu saudades.

Foi mesmo quando eu decidi rever aquelas fotos antigas... De um tempo em que eu costumava sentir saudades de outrora. Naquele tempo sentia saudades da minha infância, não conseguia me sentir bem quase nunca, e mesmo assim, não gostava de ser saudosista

Foi mesmo na hora que decidi ver aquelas fotos... E vi que o tempo passou rápido e eu não percebi minha própria mudança. Não percebi que a infância estava tão longe e agora eu sentia saudades daquele tempo. O tempo da liberdade, o tempo quando eu sentia saudades da infância.

Foi mesmo nesse exato momento, quando vi as fotos... e quis pular fora da realidade um bocadinho. E lembrei dos lisérgicos, do álcool, lembrei que eu fazia questão de esquecer de lembrar. E eu não percebi, como pude não perceber minha própria mudança?

Acho que não percebi porque não queria mudar. Mas acho que o tempo não te dá chance de escolher muito. O que fazemos quando sempre estamos atrasados, vivendo no tempo nosso, que acabou de acabar?